Uma mulher especial
Hoje escrevo sobre um tema que acho que toca os jovens e os menos jovens... Mas um tema que assusta muito e que poucos vão ler até ao fim, logo coloca-se a questão, porque escrevo? Em primeiro lugar a um nível muito pessoal como catarse, mas sobretudo, porque muitos jovens ou menos jovens também precisam desta catase, de enfrentar este assunto, que às vezes parece tábu, refiro-me à MORTE.

Uma mulher especial, alegre, com um sorriso cativante, mesmo no sábado, quando aguardavamos os bombeiros para vir para casa, uma doente e sua família foram despedir-se dela, e o seu sorriso era tão lindo, que penso que nenhuma delas percebeu o quão doente ela estava...
Muitas vezes pensamos que a força e a coragem são a ausência do medo, ela ensinou-me, que até as grandes senhoras tem medo... Medo do desconhecido, da solidão... E mesmo a confiança que temos em Deus, a quem entregámos a vida; a juventude, como um cheque em branco; às vezes treme, como a chama da vela ao vento! E a vida é um processo e, a última etapa, nem sempre é simples! Às vezes vivemos com as pessoas e parece que não as conhecemos, não é por acaso que a Santa Sé exige num processo de beatificação ou canonização saber como a pessoa morreu!
Acompanhar em comunidade esta Irmã nos últimos dias, foi rezar e perceber o caminho de aceitação de cada um, foi aceitar, a sua preocupação connosco, "Já almoçaste?" quando na realidade era ela que precisava de ajuda para se alimentar. Foi dividir a beira da sua cabeceira com outra Irmã, foi em comunidade, com a sensibilidade de cada uma, proporcionar todo o conforto! Foi acompanhar cada minuto, sabendo que quem ama só deseja o melhor do outro, perceber as reações da pessoa, dizer a palavra de carinho, exortar à confiança em Deus e aceitar os movimento do corpo, aquilo que é fisiológico.
Muitas vezes pensamos que a força e a coragem são a ausência do medo, ela ensinou-me, que até as grandes senhoras tem medo... Medo do desconhecido, da solidão... E mesmo a confiança que temos em Deus, a quem entregámos a vida; a juventude, como um cheque em branco; às vezes treme, como a chama da vela ao vento! E a vida é um processo e, a última etapa, nem sempre é simples! Às vezes vivemos com as pessoas e parece que não as conhecemos, não é por acaso que a Santa Sé exige num processo de beatificação ou canonização saber como a pessoa morreu!
Acompanhar em comunidade esta Irmã nos últimos dias, foi rezar e perceber o caminho de aceitação de cada um, foi aceitar, a sua preocupação connosco, "Já almoçaste?" quando na realidade era ela que precisava de ajuda para se alimentar. Foi dividir a beira da sua cabeceira com outra Irmã, foi em comunidade, com a sensibilidade de cada uma, proporcionar todo o conforto! Foi acompanhar cada minuto, sabendo que quem ama só deseja o melhor do outro, perceber as reações da pessoa, dizer a palavra de carinho, exortar à confiança em Deus e aceitar os movimento do corpo, aquilo que é fisiológico.
E em mim, ficou a gratidão: pelos fármacos que retiram a dor, pelo apoio imensurável da enfermeira, por todos os profissionais de saúde, pelo seu profissionalismo, carinho e compreensão, por todos os doentes e familiares, que se cruzam em quartos e corredores, que partilham vida, dor e esperança. Gratidão a Deus por tudo o que foi esta mulher na minha vida e na vida de tantos que tem vindo visitá-la, gratidão por me poder despedir, por nos podermos despedir... Por cumprirmos a tradição da Ordem e cantarmos a "Salvé Rainha" e durante a mesma ver o ultimo suspiro sereno de entrega confiante! Por saber que está em paz e ver as cores suavizarem...
Na hora da morte é a verdadeira vida que se revela!
Descansa em paz Ir. Conceição, tu que deste tanto...
Ir. Flávia Lourenço, op
Belo testemunho Ir.Flavia.
ResponderEliminarMuito obrigada!
Eu também a admirava muito.
Ricas palavras, como é bom conhecer o que se desconhece. Viver bem e morrer santo. Agradeço muito o testemunho nesse rico texto.
EliminarEdmilson Ferreira
Muito lindo e rico testemunho Ir Flávia Eu também admirava muito a Ir Conceição. Muito obrigada Agradeço a Deus o que ela foi para cada uma de nós
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